Uma vontade

E quanto mais ela falava, maior era a minha vontade de ficar.

Ps: Esse meu blog anda abandonado (uma tristeza), mas essa semana foi, no mínimo – e ainda assim é um adjetivo tão imperfeito pro que eu quero falar – intensa, não tive tempo ainda de parar e escrever, mas quero e vou. 🙂

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Constatação #1

Como eu queria que as respostas fossem sempre simples, como hoje. =)

 

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Sonhos #3

Mais avisos do meu inconsciente? O primeiro sonho (de ontem, ou de anteontem) foi com a Cami, uma das mulheres que estão vivas que eu mais admiro, uma espécie de Anna Karina de verdade – belíssima, inteligente, inacessível. É estranho. A gente se conhece relativamente pouco e eu gosto tanto dela. Inexplicável. Não lembro de muitos detalhes, mas ela morava na minha cidade e eu não, eu estava aqui a passeio, para visitá-la. Lembro da sensação de familiaridade (de novo).  O sonho de hoje trouxe a mesma sensação. Com esse, fecho dois pares: dois estranhos e duas pessoas que eu conheço e a mesma sensação de familiaridade. Essa sensação é bem rara, pois eu me sinto deslocada o tempo inteiro por aqui. A parábola estúpida que eu contava, antigamente, para explicar isso é que eu sou uma pedra redonda em um rio de pedras quadradas. Em todos os lugares, com (quase) todas as pessoas. Como se algo estivesse fisicamente errado mesmo. No sonho de hoje, muito mais verossímil em alguns aspectos, eu saía do Celin à noite e pegava o meu caminho costumeiro, subindo a rua XV até a Ubaldino. No caminho, eu encontrava uma série de discos jogados no lixo. Bons discos. Lembro de um do Bob Dylan, uma coletânea. Além de discos, havia livros. Bons livros. Um enorme do Klimt, com aquelas ilustrações magníficas que conhecemos. Nisso, um dos meus alunos me alcança e começa a olhar os materiais, espantado pelo fato de coisas tão boas – e novas! – terem sido largadas ali. Alguns minutos depois, uma belíssima mulher nos alcança (era entre a Monica Belucci e a Isabelle Adjani). O aluno me apresenta a moça: “Essa é Europa”. A moça então o abraça e eu não lembro como termina o sonho.  Além disso tudo, sonhei  com ratos. Uma invasão deles. Pequenos, enormes, cinzentos, negros. Uma invasão de ratos e um quarto sem chão. Alguns indícios bem claros.

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Sonhos #2

Um fato esquisito sobre os meus sonhos. Quando eles acontecem durante as minhas primeiro oito horas de sono, eu quase nunca me lembro realmente deles. E essa primeira parcela é, efetivamente, o sono que me descansa, que me deixa ativa, mas que é como um blecaute onírico. E eu gosto de sonhar. Na verdade, eu gosto de analisar os sonhos depois de acordar, tentar vislumbrar quais foram as associações malucas que o meu inconsciente fez, procurar significado e ordem em uma sequência aparentemente caótica de eventos e imagens. O aspecto visual do meu sonho é muito variável, é como se existissem diretores diferentes para sonhos diferentes. Já tive sonhos contemplativos em preto e branco à la Tarkovski. Já tive sonhos coloridos, de “edição” rápida, evento após evento, pessoa após pessoa. O gênero também muda. Aventuras em terras estrangeiras, viagens e mais viagens, dramas épicos – pouco romance, devo confessar. E pesadelos. Ultimamente, tenho tido poucos pesadelos. (Nenhum que eu lembre mais vividamente, nas últimas semanas). Mas quando eu estava lendo ‘Crime e castigo’, eu tinha noites inteiras de tortura em sequências medonhas, das quais eu acordava exausta e extremamente agoniada, muitas vezes chorando. Lembro de noites terminadas em clara porque eu não queria voltar a dormir. E esse é o segundo fato esquisito sobre os meus sonhos. Eu consigo dar continuação do ponto de onde eu parei – consciente ou inconscientemente. Às vezes, o sonho continua mas alguma coisa muda. É como se tivessem emendado dois filmes: um original e um remake. O tom nunca é o mesmo, sempre tem aquele detalhe que difere a coisa toda. Mas às vezes, é uma sequência absolutamente perfeita. Voltando pra ideia do início, os meus sonhos mais vívidos acontecem na manhã já avançada, quando posso passar do meu horário habitual de despertar. Já tive, inclusive, sonhos vespertinos. Ultimamente, eu tenho anotado o que eu lembro no meu diário azul. Anotei o meu sonho epifânico. O de hoje foi mais simples, também bonito, desses que te dão a sensação de acolhimento. Não lembro o enredo completo, mas uma cena: estava em uma loja, trabalhando. Era uma dessas lojas populares que vendem de tudo, um desses 1,99. Eu era eu mesma. (A representação de mim mesma, às vezes, muda e isso é muito propício para análises infindáveis.) Eu estava obcecada com alguns bibelôs. Eram uns enfeitos vulgares, representando pessoas em diversas situações de leitura. Eu pensava em separar alguns, mas por alguma razão não o fiz. Finalmente, um estranho (novamente um estranho!) estranha na loja, pega exatamente o bibelô que eu gostaria e o coloca na minha mão. “Esta é você” e aponta para a menina lendo. E efetivamente, éramos idênticas. O sonho se estendeu por bastante tempo, mas foi isso que eu consegui reter. Alguns elementos me intrigam. É um quebra-cabeças: O estranho ou o pouco conhecido, o movimento (ou a sua ausência), o símbolo (o abraço, o bibelô). O que eles significam? A caixa-preta. No fim, tudo aponta para ela.

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o dia do juízo

“We are a way for the cosmos to know itself. We are creatures of the cosmos and always hunger to know our origins, to understand our connection with the universe. (…) We are star stuff harvesting star light.” Carl Sagan

 

Aprender a chamar todas as coisas da natureza pelo seu nome. Aprender a ler os sinais que ela nos envia. Entre todos os sinais, os meus preferidos são os sonhos, porque eles são uma mistura de tudo o que eu vi e senti e de tudo aquilo que está escondido no meu inconsciente. É um momento em que afloram os simbolismos, em que podemos, sem reservas, navegar por aquilo que é dito insondável, obscuro. É claro que eu não os interpreto rigorosamente tal e qual eles me aparecem. Exceto por um. Há tempos que eu digo que tenho tido dias de cão com uma certa regularidade. E, finalmente, me parece que eles ficarão mais espaçados. Quando descobri que todo o meu trabalho de meses foi inútil, o sentimento que me veio não foi de raiva, mas de alívio. Eu consegui sorrir, aliviada, depois da sucessão de erros que poderiam bem ter saído de um roteiro dessas comédias de mau gosto.


Bright Eyes – No lies, just love

É assim que eu gostaria de terminar esse relato, com essa sensação de leveza. Proserpina e Coré se dão as mãos. Elas são um só. Não é preciso mais se dividir entre dicotomias, pois tudo o que está no cosmos é multiplamente constituído. Só é preciso abraçar o conceito de que o outro e eu somos um, assim como todo o resto. E é essa sensação que me preencheu, subitamente, mais uma vez e espero que persista. No meu sonho, eu era passageira de um carro. E eu lembro da sensação de familiaridade e de um afeto tão grande que não pode mais se conter. Simplesmente, encostei a cabeça no ombro do condutor e ele, espantado, disse: “Então, você também sabe abraçar?” Eu não o conhecia, no sonho e não sei se é uma informação relevante. Mas eu encontrei uma das minhas respostas. Eu ainda me considero uma ‘máquina quebrada’. Ainda tenho medo de tocar fisicamente nas pessoas, e também tenho medo que me toquem. Alterno entre momentos de revelação e de recolhimento. Ainda estou, timidamente, tentando abaixar as minhas defesas. Mas quando houver tanto amor represado (e vai haver, pois eu me conheço bem), então conseguirei me tornar parte desse todo, estarei pronta por que agora eu tenho confiança que não preciso me dividir nas minhas escolhas. Nem claro, nem escuro, mas ambos e com todas as matizes de cinza que possam ser geradas a partir desses extremos.

“Melancholia” – Lars Von Trier

ps: Ok, o título é um trocadilho horrível, mas quem está por perto vai entender.

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tentativa de tradução #2: Les rêveries du promeneur solitaire – Rousseau

Texto indispensável e que me aproxima muito do Thoreau e seu ‘Walden’. A tentativa de hoje é muito mais uma forma de tentar me aprofundar um pouco no texto (do sentido e da forma), do que qualquer outra coisa. Primeira obsevação, esse artigo será escrito e reescrito, uma vez que pretendo fazer a coisa funcionar parágrafo por parágrafo.

E aqui estou, sozinho no mundo, não tenho mais irmão, amigo, conhecido ou qualquer outra relação além de mim mesmo. O mais sociável e o mais atraente dos homens foi proscrito da sociedade por consenso. Procuraram nos requintes do seu ódio, qual poderia ser o tormento mais cruel a sua alma sensível e romperam violentamente todos os laços que me ligavam a eles. Eu teria gostado dos homens, apesar deles próprios. Sem deixar de ser, eles só puderam fugir de minha afeição. E ali estão, estranhos, desconhecidos, insignificantes para mim, porque assim o quiseram. Mas eu, descolado de mim mesmo e de todo o resto, o que eu sou, o eu mesmo? E é isso que me falta buscar. Infelizmente, esta busca deve ser precedida por uma breve análise da minha posição.  É absolutamente necessário que eu passe por esta idéia para chegar a mim mesmo.

A frase “Ils n’ont pu qu’en cessant de l’être se dérober à mon affection” ainda me intriga. Trocarei impressões com alguns colegas e, posteriormente, acrescentarei alterações. E, inacreditavelmente, o meu maior problema é a minha língua materna. (Como percebi no desenvolvimento de alguns textos aqui, alguma coisa está muito estranha em relação a organização das minhas frases…)

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Epifania pós-show

Antes de entrar no táxi, pra vir embora:

My God, it’s full of stars.

O apagão da tequila me deixou alguns detalhes, mas levou outros embora. Escolhendo o filme pra assistir, agora, a associação inconsciente é desvelada. Ultimamente, aliás, tenho vivenciado tantas associações inconscientes intra e interpessoais que já nem sei mais se dá pra chamar de coincidência. Não bastasse isso tudo, como se fosse uma tela muito clara, percebi tudo o que devo fazer, por enquanto. E vi como tenho despendido energia com o que deveria ser secundário. Queria que esses momentos de clarividência fossem mais frequentes.

 

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