a broken machine

[Alerta de escrito egocêntrico, altamente pessoal, amargo, porém absolutamente honesto]

Conheci uma banda muito bonitinha essa semana, por acaso, no Youtube. Se chama “The Narrative”, e é claro que eu gostei de cara do nome. Sou obcecada por narrativas e por tudo aquilo que é, e não parece ser (narrativa). Além do nome, gostei muito das músicas. Elas combinam um tom de doçura e de melancolia perfeitos pros meus últimos dias, além , é claro, de ter letras que traduzem tudo aquilo que eu gostaria de dizer, mas que não  consigo por não ser suficientemente eloquente (e esse blog é a prova de que estou tentando, apesar de tudo).

“And she asked for the end of the world,
cracking open the hearts of her girls,
and she asked for the end of a life,
when she swept all the sorrow inside.”

E é claro que essas músicas me fizeram pensar. E eu cheguei a algumas conclusões bem duras. A primeira é que eu ainda sou uma broken machine. E que eu estou tão – ou mais anestesiada do que antes sobre o ‘sentir’ as pessoas e o mundo em si.  Cheguei a pensar, por alguns dias, que esse néant estava cedendo espaço a sentimentos humanos novamente, mas precisei de uma briga interior para perceber que tudo não passava de um falso alarme (…just another false alarm… so, tell me how longe before the last one?), que era só mais uma tentativa de auto-enganação, uma mistura de admiração com senso de oportunidade (perdida, é claro) e uma dose insensata de idealização. A segunda é que não vale mais a pena, não adianta ficar procurando sentidos que, obviamente, não existem. Preciso é tomar vergonha na cara e aprender a conviver com esse buraco emocional / sentimental / cognitivo, porque me parece que é assim que vai ser durante muito tempo ainda, sem garantias de que isso ‘se cure’. Mas o como ainda é muito difícil. Preciso aprender a me maravilhar de novo com os pequenos detalhes da natureza: reconhecer um fractal em um cristal de gelo, distinguir os tons intermediários entre o cinza e o azul escuro em um pôr-do-sol de um dia meio chuvoso, ler a trajetória das nuvens, reconhecer os padrões das ondas conforme as marés. Talvez, quando isso tudo voltar a ‘me tocar’, eu possa tentar o mesmo com os humanos. Enquanto isso, vamos forçando com tudo aquilo que é doloroso, pra ver até onde posso aguentar, pra continuar acreditando que eu estou aqui, que eu não sou a alucinação de algum esquizofrênico.E preciso continuar sustentando a minha postura de olhar o abismo sempre, e resistir. A última conclusão é que não, eu não faço e tampouco irei fazer a diferença por aqui, nem em lugar algum (ainda que o fazer a diferença já fosse realista, eu imaginava algo com uma parte realmente desprezível de um todo). Dupla implicação: uma concepção ainda mais realista do que eu sou e do meu papel no mundo e uma liberdade absoluta de escolha. Já passou da hora de cortar as raízes. É bobo escrever tudo isso, mas eu só consigo racionalizar depois de verbalizar, e principalmente depois de escrever. Porque a escrita salva a minha vida diariamente – e na maioria das vezes, a escrita de estranhos.

ps: Acho que essa música do ‘The Narratives’ me lembra um pouco o animê ‘Nana’, sabe-se lá porquê.

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

E aí? O que você tem para falar sobre isso tudo?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s