o dia do juízo

“We are a way for the cosmos to know itself. We are creatures of the cosmos and always hunger to know our origins, to understand our connection with the universe. (…) We are star stuff harvesting star light.” Carl Sagan

 

Aprender a chamar todas as coisas da natureza pelo seu nome. Aprender a ler os sinais que ela nos envia. Entre todos os sinais, os meus preferidos são os sonhos, porque eles são uma mistura de tudo o que eu vi e senti e de tudo aquilo que está escondido no meu inconsciente. É um momento em que afloram os simbolismos, em que podemos, sem reservas, navegar por aquilo que é dito insondável, obscuro. É claro que eu não os interpreto rigorosamente tal e qual eles me aparecem. Exceto por um. Há tempos que eu digo que tenho tido dias de cão com uma certa regularidade. E, finalmente, me parece que eles ficarão mais espaçados. Quando descobri que todo o meu trabalho de meses foi inútil, o sentimento que me veio não foi de raiva, mas de alívio. Eu consegui sorrir, aliviada, depois da sucessão de erros que poderiam bem ter saído de um roteiro dessas comédias de mau gosto.


Bright Eyes – No lies, just love

É assim que eu gostaria de terminar esse relato, com essa sensação de leveza. Proserpina e Coré se dão as mãos. Elas são um só. Não é preciso mais se dividir entre dicotomias, pois tudo o que está no cosmos é multiplamente constituído. Só é preciso abraçar o conceito de que o outro e eu somos um, assim como todo o resto. E é essa sensação que me preencheu, subitamente, mais uma vez e espero que persista. No meu sonho, eu era passageira de um carro. E eu lembro da sensação de familiaridade e de um afeto tão grande que não pode mais se conter. Simplesmente, encostei a cabeça no ombro do condutor e ele, espantado, disse: “Então, você também sabe abraçar?” Eu não o conhecia, no sonho e não sei se é uma informação relevante. Mas eu encontrei uma das minhas respostas. Eu ainda me considero uma ‘máquina quebrada’. Ainda tenho medo de tocar fisicamente nas pessoas, e também tenho medo que me toquem. Alterno entre momentos de revelação e de recolhimento. Ainda estou, timidamente, tentando abaixar as minhas defesas. Mas quando houver tanto amor represado (e vai haver, pois eu me conheço bem), então conseguirei me tornar parte desse todo, estarei pronta por que agora eu tenho confiança que não preciso me dividir nas minhas escolhas. Nem claro, nem escuro, mas ambos e com todas as matizes de cinza que possam ser geradas a partir desses extremos.

“Melancholia” – Lars Von Trier

ps: Ok, o título é um trocadilho horrível, mas quem está por perto vai entender.

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