Sonhos #2

Um fato esquisito sobre os meus sonhos. Quando eles acontecem durante as minhas primeiro oito horas de sono, eu quase nunca me lembro realmente deles. E essa primeira parcela é, efetivamente, o sono que me descansa, que me deixa ativa, mas que é como um blecaute onírico. E eu gosto de sonhar. Na verdade, eu gosto de analisar os sonhos depois de acordar, tentar vislumbrar quais foram as associações malucas que o meu inconsciente fez, procurar significado e ordem em uma sequência aparentemente caótica de eventos e imagens. O aspecto visual do meu sonho é muito variável, é como se existissem diretores diferentes para sonhos diferentes. Já tive sonhos contemplativos em preto e branco à la Tarkovski. Já tive sonhos coloridos, de “edição” rápida, evento após evento, pessoa após pessoa. O gênero também muda. Aventuras em terras estrangeiras, viagens e mais viagens, dramas épicos – pouco romance, devo confessar. E pesadelos. Ultimamente, tenho tido poucos pesadelos. (Nenhum que eu lembre mais vividamente, nas últimas semanas). Mas quando eu estava lendo ‘Crime e castigo’, eu tinha noites inteiras de tortura em sequências medonhas, das quais eu acordava exausta e extremamente agoniada, muitas vezes chorando. Lembro de noites terminadas em clara porque eu não queria voltar a dormir. E esse é o segundo fato esquisito sobre os meus sonhos. Eu consigo dar continuação do ponto de onde eu parei – consciente ou inconscientemente. Às vezes, o sonho continua mas alguma coisa muda. É como se tivessem emendado dois filmes: um original e um remake. O tom nunca é o mesmo, sempre tem aquele detalhe que difere a coisa toda. Mas às vezes, é uma sequência absolutamente perfeita. Voltando pra ideia do início, os meus sonhos mais vívidos acontecem na manhã já avançada, quando posso passar do meu horário habitual de despertar. Já tive, inclusive, sonhos vespertinos. Ultimamente, eu tenho anotado o que eu lembro no meu diário azul. Anotei o meu sonho epifânico. O de hoje foi mais simples, também bonito, desses que te dão a sensação de acolhimento. Não lembro o enredo completo, mas uma cena: estava em uma loja, trabalhando. Era uma dessas lojas populares que vendem de tudo, um desses 1,99. Eu era eu mesma. (A representação de mim mesma, às vezes, muda e isso é muito propício para análises infindáveis.) Eu estava obcecada com alguns bibelôs. Eram uns enfeitos vulgares, representando pessoas em diversas situações de leitura. Eu pensava em separar alguns, mas por alguma razão não o fiz. Finalmente, um estranho (novamente um estranho!) estranha na loja, pega exatamente o bibelô que eu gostaria e o coloca na minha mão. “Esta é você” e aponta para a menina lendo. E efetivamente, éramos idênticas. O sonho se estendeu por bastante tempo, mas foi isso que eu consegui reter. Alguns elementos me intrigam. É um quebra-cabeças: O estranho ou o pouco conhecido, o movimento (ou a sua ausência), o símbolo (o abraço, o bibelô). O que eles significam? A caixa-preta. No fim, tudo aponta para ela.

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